quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mudança de Nome Religioso na Hagiografia


Mudança de Nome Religioso na Hagiografia
“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (Mt 16, 17-18)

Santo
Congregação
Nome de Batismo
Nome Religioso
São Miguel Febres. (1854-1910)
Irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas)
Francisco
Miguel
Santo Inácio de Loyola ou Loiola, (1491  1556)
Fundador da Companhia de Jesus
Iñigo López de Oñaz y Loyola
Adotou o nome latino Ignatius em homenagem a Santo Inácio de Antioquia
Santo Antonio de Pádua ou de Lisboa
Ordem dos Frades Menores
Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo (ou Fernon Martin di Bulhon y Tavera Azeyedo
Antonio, numa homenagem à Santo Antão. Em 1220 torna-se frade franciscano no Eremitério de Santo Antão dos Olivais, de Coimbra.
Carmelita Descalça
Nome civil - Edith Theresa Hedwing Stein
Encontra a sua cristã fé em 1921, quando lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus. Batiza-se no dia 1º de Janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa Edwig
a 11 de Outubro de 1998, foi canonizada pelo mesmo Papa, sob o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz, ou apenas Teresa da Cruz.

São José de Leonessa (1556-1512)


Religioso Capuchinho
Efrânio
José de Leonessa
São Pio de Pietralcina (1887-1968)
Religioso Capuchinho
Francesco Forgione
nome religioso, Frei Pio de Pietrelcina em honra a São Pio V (com 16 anos ao entrar no noviciado)
(1181-1226)
Fundador da Ordem dos Frades Menores
Giovane di Pietro Bernardone (João Bernardone)
Foi batizado em Santa Maria Maior (antiga catedral de São Rufino) com o nome de João (Giovanni). Mas quando Pietro Bernardone voltou de uma viagem à França, mudou de idéia e resolveu trocar o nome do filho para Francisco, prestando uma homenagem àquela terra.
Santa Teresa de Jesus (1515-1582)
Reformadora Carmelita
Teresa de Cepeda y Ahumada
Teresa de Jesus
Santa Teresa de Los Andes (1900-1920)
Carmelita descalça
Juana Henriqueta Josefina de los Sagrados Corações
Teresa de Jesus
Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. (1865-1942)
Amabile Lucia Visintainer
Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus.



Personalidades
Personalidade
Congregação
Nome de Batismo
Nome Religioso
dom Cláudio Hummes 

Ordem dos Frades Menores
Auri Afonso Hummes
Nome do bispo Cláudio Mártir provavelmente instigou o Aury a escolher este nome. Trata-se de uma história antiga, de aproximadamente 800 anos, de um bispo que foi martirizado por causa da religião.

Dom Geraldo Majela de Castro
Cônegos Premonstratenses
João José de Castro
Pertence à Ordem Premonstratense, na qual entrou ainda garoto e adotou o nome religioso de Geraldo Majela.
Irmã Dulce
Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição
Maria Rita Lopes Pontes
recebeu o nome religioso de Irmã Dulce, em homenagem a mãe.
Pe. Gilberto Maria Defina
Fraternidade Jesus Salvador
Gilberto Defina
Pe. Gilberto Maria Defina, sjs
Tomado o nome de Maria na sua ordenação sacerdotal


Mudança de Nome Religioso na Hagiografia


Mudança de Nome Religioso na Hagiografia
“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (Mt 16, 17-18)

Santo
Congregação
Nome de Batismo
Nome Religioso
São Miguel Febres. (1854-1910)
Irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas)
Francisco
Miguel
Santo Inácio de Loyola ou Loiola, (1491  1556)
Fundador da Companhia de Jesus
Iñigo López de Oñaz y Loyola
Adotou o nome latino Ignatius em homenagem a Santo Inácio de Antioquia
Santo Antonio de Pádua ou de Lisboa
Ordem dos Frades Menores
Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo (ou Fernon Martin di Bulhon y Tavera Azeyedo
Antonio, numa homenagem à Santo Antão. Em 1220 torna-se frade franciscano no Eremitério de Santo Antão dos Olivais, de Coimbra.
Carmelita Descalça
Nome civil - Edith Theresa Hedwing Stein
Encontra a sua cristã fé em 1921, quando lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus. Batiza-se no dia 1º de Janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa Edwig
a 11 de Outubro de 1998, foi canonizada pelo mesmo Papa, sob o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz, ou apenas Teresa da Cruz.

São José de Leonessa (1556-1512)


Religioso Capuchinho
Efrânio
José de Leonessa
São Pio de Pietralcina (1887-1968)
Religioso Capuchinho
Francesco Forgione
nome religioso, Frei Pio de Pietrelcina em honra a São Pio V (com 16 anos ao entrar no noviciado)
(1181-1226)
Fundador da Ordem dos Frades Menores
Giovane di Pietro Bernardone (João Bernardone)
Foi batizado em Santa Maria Maior (antiga catedral de São Rufino) com o nome de João (Giovanni). Mas quando Pietro Bernardone voltou de uma viagem à França, mudou de idéia e resolveu trocar o nome do filho para Francisco, prestando uma homenagem àquela terra.
Santa Teresa de Jesus (1515-1582)
Reformadora Carmelita
Teresa de Cepeda y Ahumada
Teresa de Jesus
Santa Teresa de Los Andes (1900-1920)
Carmelita descalça
Juana Henriqueta Josefina de los Sagrados Corações
Teresa de Jesus
Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. (1865-1942)
Amabile Lucia Visintainer
Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus.


Personalidades
Personalidade
Congregação
Nome de Batismo
Nome Religioso
dom Cláudio Hummes 

Ordem dos Frades Menores
Auri Afonso Hummes
Nome do bispo Cláudio Mártir provavelmente instigou o Aury a escolher este nome. Trata-se de uma história antiga, de aproximadamente 800 anos, de um bispo que foi martirizado por causa da religião.

Dom Geraldo Majela de Castro
Cônegos Premonstratenses
João José de Castro
Pertence à Ordem Premonstratense, na qual entrou ainda garoto e adotou o nome religioso de Geraldo Majela.
Irmã Dulce
Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição
Maria Rita Lopes Pontes
recebeu o nome religioso de Irmã Dulce, em homenagem a mãe.
Pe. Gilberto Maria Defina
Fraternidade Jesus Salvador
Gilberto Defina
Pe. Gilberto Maria Defina, sjs
Tomado o nome de Maria na sua ordenação sacerdotal


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

NOVENA A SÃO MIGUEL ARCANJO (20 a 28 de setembro)


NOVENA A SÃO MIGUEL ARCANJO (20 a 28 de setembro)

1º dia (Dn 12, 1)
Naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, defensor dos filhos de teu povo; e será um tempo de angústia como nunca houve até então, desde que começaram a existir nações. Mas, nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem inscritos no livro. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Serafins, faça-nos, Senhor, dignos do fogo da perfeita caridade.

Oremos: (todos) Ó Glorioso São Miguel, guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, Príncipe e Defensor da Fraternidade Jesus Salvador, vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livra-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável proteção cresçamos cada dia mais na fidelidade em servir a Deus. Amém.
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.

2º dia (Sl 137, 1)
Graças vos dou, Senhor, de todo o coração, na presença dos Anjos eu vos louvo. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Querubins, pedimos, Senhor, a graça de trilharmos a estrada da perfeição cristã.
Oremos (1º dia)
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós. São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
   
3º dia (Sl 102, 21)
Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Tronos, pedimos ao Senhor que nos dê o espírito da verdadeira humildade.
Oremos (1º dia)
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.

4º dia (Sl 102, 20)
Bendizei ao Senhor, mensageiros de Deus, heróis poderosos que cumpris suas ordens sempre atentos à sua palavra.
Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Dominações, pedimos, Senhor, nos conceder a graça de dominar nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões.
Oremos (1º dia)
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.

5º dia (Gn 28, 12-13a)
Jacó viu em sonho uma escada apoiada no chão, com a outra ponta tocando o céu e os anjos de Deus subindo e descendo por ela. No alto da escada estava o Senhor que lhe dizia: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaac. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Potestades, pedimos, Senhor, se digne de proteger nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demônios.
Oremos (1º dia)
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós. São Miguel, Luz dos Anjos, rogai por nós.

6º dia (Ap 8, 3-4)
E veio um outro anjo que se colocou perto do altar, com um turíbulo de ouro. Ele recebeu uma grande quantidade de incenso, para oferecê-lo com as orações de todos os santos, no altar de ouro que está diante do trono. E da mão do anjo subia até Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das Virtudes, pedimos ao Senhor a graça de sermos vencedores no perigoso combate das tentações.
Oremos (1º dia)
São Miguel, baluarte dos Cristãos, rogai por nós. São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós.

7º dia (Ap 7, 11-12)
E todos os anjos que estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos e dos quatro Seres vivos, prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus,          dizendo: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos Principados, pedimos, Senhor, que nos dê o espírito de uma verdadeira e sincera obediência a Vós.
Oremos (1º dia)
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós. São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.

8º dia (Dn 10, 21)
Mas vou anunciar-te o que está escrito no livro da verdade. Ninguém me ajuda na guerra contra eles a não ser Miguel, vosso chefe. Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os Arcanjos, pedimos, Senhor, nos conceda o dom da perseverança na Fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso.
Oremos (1º dia)
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós. São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós. São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.


9º dia (Ap 12, 7-8)
Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou juntamente com os seus anjos, mas foi derrotado, e não se encontrou mais o seu lugar no céu.

Intercessão: Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os Anjos, pedimos, Senhor, que estes espíritos bem-aventurados nos guardem sempre, e principalmente na hora da nossa morte e nos conduzam à glória do Paraíso.

Oremos (1º dia)

São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós. São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Contemplatio


Contemplatio

Bendito sejais, Vós, nosso Deus, por nos ter chamado à vida religiosa e nos dar a graça de nos entregarmos totalmente ao vosso louvor na oração e no trabalho para  assim contemplarmos os sinais do vosso amor na Criação e em cada ser humano. Queremos, nesta “escola do Louvor de Deus”, buscar vossa Palavra na Sagrada Escritura e celebrar com todo esplendor a Sagrada Liturgia na efusão do Vosso Espírito. Por isso, fazei de nossas comunidades verdadeiros lares para que assim os povos da terra aprendam de nós o Vosso Amor. Por Vosso Filho, Jesus Salvador, na Unidade do Espírito Santo. Amém.


terça-feira, 21 de junho de 2011

MISTICA CRISTÃ


CAEMEM SÃO MIGUEL ARCANJO
CENTRO DE ALTOS ESTUDOS DE MANIFESTAÇÕES E EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS SÃO MIGUEL ARCANJO
FRATERNIDADE JESUS SALVADOR

MÍSTICA CRISTÃ


O Mistério escondido desde os séculos e gerações (cf. Cl 1, 26), foi-nos revelado em Cristo Jesus (cf. Cl 4, 3). Deus em sua bondade manifesta o Mistério de sua vontade, isto é, reunir todas as coisas em Cristo (cf. Ef 1, 9), a fim de que os seres humanos, estreitamente unidos pela caridade, compreendam o Mistério de Deus (cf. Cl 2, 2).
Jesus revela o Mistério do amor do Pai em toda a sua existência, em suas palavras, em sua maneira de ser e de se portar.[1]  Por isso, o encontro com Jesus é encontro com o Mistério de Deus que se revela, o amor de Deus que vem ao encontro do ser humano numa Entrega encarnada.
            A revelação do Mistério do amor de Deus acontece nos vários encontros que Jesus tem com diversas categorias de pessoas. Nesses encontros, Jesus através de seu estilo de comportamento motivacional, isto é, seu modo de ser, procura suscitar no coração das pessoas a conversão e a fé pela qual o ser humano se entrega a Deus. Dom da fé que torna essas pessoas anunciadoras do Mistério em suas próprias vidas.
            Jesus utilizou-se da pedagogia divina do amor com os doze apóstolos. Jesus os chama e convida para que se tornem pescadores de homens, a reação dos chamados é o desprendimento da vida que levavam, representada pelas redes, para entrega no seguimento (cf. Mc 1, 17-18). Após o primeiro contato, inicia-se o processo do conhecimento e do crescimento, como o demonstra o chamado “dia de Cafarnaum”. Jesus ensina, cura os doentes e declara que evangelizar é o centro de sua missão (cf. Mc 1, 21-39). Jesus escolhe os doze para que ficassem com ele, para depois enviá-los a pregar (cf. Mc 3, 13). É na intimidade com o Mestre que eles aprenderão a serem discípulos e enviados. No envio dos Doze, Jesus recomenda que a missão seja feita com simplicidade e confiança em Deus (Cf. Mt 10, 7-15).
            O crescimento interior do grupo dos doze comporta eventuais crises, isto é, para crescer era necessário passar por problemas, dúvidas, inquietações, decepções etc. Os apóstolos deveriam atender as necessidades dos pobres e sofridos, quando da multiplicação dos pães, os apóstolos sugerem que Jesus despedisse as multidões, porém Jesus lhes diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6, 37). Os apóstolos são chamados a servir, mas no itinerário de crescimento na fé se pensa em ser o maior, em dominar, em ter o poder. Por isso, diante de uma discussão de quem seria o maior, Jesus exorta: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 35). O fruto do itinerário é o reconhecimento de Jesus como Salvador, que se traduz em testemunho apostólico de dar a própria vida ao serviço dos irmãos, inclusive no martírio. Esta é a maturidade apostólica que se consegue ao seguir o Senhor Jesus.         
Outros encontros pedagógicos com Jesus aconteceram. O encontro pode ser através da pregação, na qual Jesus procura mudar a disposição interior dos ouvintes, levá-los a uma compreensão correta da lei, para que assim aprendam a amar. Por exemplo, o discípulo do Reino de Deus não deve se contentar com “não matar”, mas não é permitido nem se encolerizar com seu irmão (cf. Mt 5, 21-22).
            Jesus foi ao encontro dos pecadores e dos que estão doentes, daqueles que estão sob a dominação e excluídos do convívio do amor (cf. Mc 2, 17).
Outras vezes, foi no encontro pessoal que a disposição interior foi motivada por Jesus. Nesses encontros, Jesus acolhe efetiva e afetivamente as pessoas, como por exemplo, as crianças (cf. Lc 18, 15), bem como acolhe as demonstrações de afeto, como as da pecadora arrependida (cf. Lc 7, 36-50).
Outros exemplos. Jesus entra de modo ousado na vida do pecador Zaqueu (cf. Lc 19, 1-10), sem se importar com o olhar da multidão. Por outro lado, Zaqueu, respondendo ao convite de Jesus, muda suas disposições pessoais em vista do Reino de Deus, apresentando os sinais concretos de que quer aprender a amar no dom ao outro, conforme ele mesmo diz: “Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo” (Lc 19, 8).
            Jesus no contato com a hemorroíssa (cf. Lc 8, 40-56) não despreza a sua fé incipiente ou mágica, mas a acolhe misericordiosamente, transformando uma crença mágica numa fé que salva,[2] levando aquela mulher à plena dignidade de uma filha de Deus (cf. Lc 8, 48). No caso da Samaritana se evidencia a incompreensão humana diante do Mistério do amor de Deus (cf. Jo 4, 1-42). Mas a paciente pedagogia divina não somente satisfaz às suas aspirações humanas, mas também as suscita.[3] Jesus quer fazer aquela mulher crescer, a partir de sua disposição pessoal, quer levá-la a se modelar ao projeto de Deus, tornando-a uma testemunha do Reino (cf. Jo 4, 39). No centurião, Jesus encontra a abertura plena à salvação, pois o centurião acredita plenamente na eficácia da Palavra (cf. Lc 7, 1-10).
            Entretanto, Jesus também se encontrou com a incompreensão humana do Mistério relevado nele. Os conterrâneos nazarenos de Jesus (cf. Mc 6, 1-6) tentam enquadrar Jesus dentro de seus parâmetros de “filho do carpinteiro” e se prendem aos milagres como extravagâncias divinas, por isso não se abrem ao amor de Deus e por conseqüência fecham-se à autodoação de Deus.
            Jesus anuncia a salvação e através de sinais demonstra o amor de Deus pelos homens. O cume dessa obra de salvação é a Entrega de Cristo a seu Pai por nossos pecados. Jesus amou o ser humano até o extremo (cf. Jo 13, 1). Por sua vez, o fechamento do ser humano a Deus é sanado pela Entrega salvadora de Jesus em seu sacrifício. Essa auto-entrega na Cruz é que atrai e atrairá o ser humano ao amor de Deus, como diz o próprio Jesus: “quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32).
            São Paulo vai afirmar que:
“Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. 2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. 3 E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. 4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, 5 para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus”.[4]

            A sabedoria de Deus é Cristo crucificado, sabedoria escondida em mistério e agora revelada (cf. 1 Cor 2, 7). Como também o Reino de Deus é dado a conhecer àqueles que estão na intimidade de Jesus e não aos de fora (cf. Mt 13, 11).  
            A cruz se torna Fonte da Vida para todo ser humano. Antes de morrer, Jesus institui o memorial de sua Entrega, e cada ser humano deve ser atraído a este mistério do amor de Deus presente na Eucaristia, como centro da vida da Igreja e da Mística. Cada ser humano é, pois, chamado a amar como Cristo amou, isto é, na Entrega ao outro, na graça da autodoação (cf. Jo 13, 34). Esse é o Mistério ao qual cada ser humano deve motivar-se, aprendendo do Mestre a se entregar ao próximo e a Deus.
Portanto, Jesus revela o Mistério do amor-entrega de Deus ao ser humano. Em sua pedagogia de amor Jesus leva as pessoas a se abrirem a esta Entrega e a viverem em suas vidas.
Essa experiência hoje é vivida pelo cristão, e numa dimensão mística a experiência do amor de Deus é intuída, confirmada pela Revelação, na Bíblia e na Tradição, e nos sinais do amor de Deus hoje, na Liturgia e na Vida.
Por isso, uma Mística Cristã, pode ser pensada através dos pontos seguintes que serão posteriormente trabalhados:
- Mística Cristã, isto é, a experiência intuitiva e simbólica do Mistério de Deus Revelado em Jesus Cristo, deve estar de acordo com a Sagrada Escritura e com a Tradição da Igreja. “E sempre fui amiga deles (dos letrados), pois, mesmo que alguns não tenham experiência, não se opõem ao que é espiritual nem o ignoram, já que, nas Sagradas Escrituras que estudam, sempre acham a verdade do bom espírito” (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida, 13, 18).
- Busca encontrar Deus na Liturgia e experimentar o Mistério presente no Esplendor da celebração do Mistério Pascal.
- Os sinais do amor de Deus são perscrutados em cada relacionamento humano e na natureza que ressoa a voz de Deus (cf. salmo 19).
- O Espírito Santo é o Mestre Interior que conduz a experiência mística, sem aniquilar o humano, mas assumindo-o e levando até Deus.
- A Mística Cristã é eclesial. Toda a experiência mística leva a um amor profundo pela Igreja e contemplá-la como o Corpo Místico de Cristo.
- A Mística é experiência de Entrega, na oração e na vida, seja de Deus a nós por seu Filho no Espírito, e também nossa entrega a Deus em nossa vida. “Para mim, a oração mental não é senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com quem sabemos que nos ama” (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida 8, 5).
Enfim, temas variados podem ser trabalhados, mas sempre brotam dessa Entrega e voltamos a Deus através dessa mesma Entrega.




[1] Cf. CATECISMO da Igreja Católica, 1997. Petrópolis: Vozes, 1998, 516.
[2] Cf. FABRIS, R. O evangelho de Lucas. In: Os evangelhos II. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 2), p. 96.
[3] Cf. MAGGIONI, B. O evangelho de João. In: Os evangelhos II. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 2), p. 315.
[4]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. 1Co 2:5